Caiu a ficha! E Eduardo Campos descobriu que o Brasil não é uma de suas paróquias!
Tem sido comum assistirmos a cenas em que os pré-candidatos à presidência, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), trocam afagos e elogios numa quase aliança para que, minando a candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff, um dos dois vá ao segundo turno.
Mas eis que o problema está justamente aí. Apenas há vaga para que um dos dois, Aécio ou Eduardo, vá disputar com Dilma num eventual segundo turno porque é pouco crível que estando os dois no mesmo campo e defendendo as mesmas ideias, consigam eliminar Dilma da disputa já no primeiro turma, aliás, mesmo na pesquisa do instituto Sensus, cujos métodos foram questionados por todos os analistas políticos, ainda ali, Dilma aparece com leve margem de vitória no primeiro turno.
E por que Eduardo não foi o escolhido? A partir do discurso que o candidato Eduardo tem propagado, é possível perceber o quanto sua candidatura é frágil. Já apontamos algumas dessas fragilidades aqui e a própria imprensa do Sudeste não tem poupado Eduardo, quando resolve confrontar seu discurso com suas práticas como gestor e principalmente como político.
Depois de algum tempo, observado as contradições entre o discurso e a prática de Eduardo, que apesar de ser conhecido em Pernambuco até “ditador”, em alcunha que lhe foi carinhosamente conferida pelos jovens, vítimas da repressão policial durante seu governo, passou a se autoproclamar como o porta-voz da “Nova Política”, que contraditoriamente, defende a política feita de forma horizontal, sem personalismo e onde o clientelismo e as velhas raposas da política não são bem vindas, impossível não identificar Eduardo, como mais um político fanfarrão, uma caricatura dessas que o marketing político tradicional cria, ao pior estilo da mais ultrapassada das raposas que ele tanto afirma rejeitar.
Não se sabe se todos esses equívocos são fruto de um péssimo assessoramento, de uma quase sabotagem daqueles que Eduardo escolheu para comandar seu marketing presidencial, ou se é fruto da própria falta de visão do personalista Eduardo por acreditar que poderia repetir numa campanha presidencial as mesmas artimanhas já utilizadas e, portanto, manjadas, que utilizou em suas campanhas paroquiais.
(Artigo publicado no Blog do Jamildo. http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2014/05/06/caiu-ficha-e-eduardo-descobriu-que-o-brasil-nao-e-uma-de-suas-paroquias/)

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